Sem testes em massa, servidores realizam exames por conta própria e temem disseminação da COVID19 nos presídios.



Nesta sexta, 19, foi confirmado que uma detenta da Penitenciária Feminina de Foz de Iguaçu (PFF) e um servidor da Penitenciária Estadual de Foz de Iguaçu (PEFI) foram contaminados pelo coronavírus. Após a apresentação de sintomas é que foram testados. Outras confirmações de casos positivos aconteceram, na última semana, em diferentes unidades no Paraná. E, os agentes penitenciários cobram a testagem em massa para evitar a disseminação da doença em todo o sistema carcerário. Servidores sintomáticos ou confirmados com a doença relatam que fizeram teste por conta ou por intermediação do sindicato.

O agente penitenciário Ricardo Luiz Wenzel, da Penitenciária de Foz de Iguaçu I (PEFI), teve fortes dores de cabeça por 4 dias. Imediatamente informou sua chefia que lhe recomendou  que fizesse o teste. “Fiz por conta o teste rápido na farmácia que deu negativo. Depois, repeti o teste na unidade de saúde e deu positivo. Desde então estou de quarentena.” Ricardo informa que após a confirmação, outros servidores serão testados em sua unidade.

“Estão providenciando testes rápidos que ainda levará alguns dias para fazerem. Discordo que seja necessário esperar que apareça alguém com sintomas. Quando essa pessoa tiver com sintomas, quer dizer que já pode ter contaminado outras,” questiona Ricardo.

Outro caso é de um casal de agentes penitenciários (não quiseram ser identificados), que apresentaram sintomas e somente após a intermediação do SINDARSPEN, conseguiram fazer os testes. “Tivemos pedidos de afastamento negados pela perícia médica do estado. Depois, nos deram apenas 7 dias de afastamento e somente hoje (19/06) conseguimos os 14 dias. E, além de toda essa burocracia, o resultado do teste só sairá na segunda feira”, relata a servidora.  

Da Penitenciária Estadual de Piraquara (PEP), outro agente penitenciário (não quis ser identificado) relata que começou a apresentar sintomas no plantão do dia 15 para 16 de junho. Com atestado médico, conseguiu afastamento provisório.  Neste dia, segundo ele, ainda não tinham testes disponibilizados na unidade. “Acabei fazendo o teste que chegou na unidade nesta quarta, 17, que deu positivo. Tem outros colegas com sintomas”, relata.

Para ele, as ações do governo têm demorado  acontecer. “O que nos preocupa é que, desde o início da pandemia, as autoridades não tem levado isso a sério. Ficamos um tempo grande com reservatórios vazios de álcool gel, sem luvas e máscaras. E, mesmo agora, todo plantão temos que fazer cobranças. Além, é claro, da falta de testes para todos.”  

Em Cascavel, informações dados pelos servidores, é que a orientação para os que apresentarem sintomas é que façam contato com o Call Center da saúde da Prefeitura da cidade. Este foi o caso de um agente penitenciário de Cascavel, lotado na Penitenciaria Industrial de Cascavel (PIC) que teve contato com a irmã confirmada positivo para COVID19.  Após a apresentação do atestado emitido pela Prefeitura de Cascavel, conseguiu o afastamento do seu trabalho na unidade. “Eu me afastei, mas não foi feito nenhuma outra ação com os demais servidores que tive contato. E, também, eles pedem que façamos o teste, mas não disponibilizam. São R$300 reais para fazer. Eu não tenho dinheiro”, diz o agente que ficará 14 dias em isolamento.

Testes insuficientes

No caso de Foz de Iguaçu, a Chefia Regional do Departamento Penitenciário informou que serão feitos testes naqueles servidores que apresentarem sintomas.  A informação é que, apesar do esforço da regional, foram enviados apenas 25 testes pela Secretaria Estadual de Segurança Pública (SESP-PR).Para o presidente do SINDARSPEN, Ricardo de Carvalho Miranda, “não podemos ficar esperando que os sintomas apareçam para então testar. Existem casos de pessoas assintomáticas que podem transmitir o vírus. Isso é colocar em risco tanto presos como os servidores.” A orientação que os agentes vêm recebendo é que sejam feitos testes apenas se tiverem sintomas.

Sindarspen requer testagem em massa, com urgência.

O Sindicato dos Policiais Penais do Paraná (SINDARSPEN) voltou a solicitar do Departamento Penitenciário (Depen) e da Secretaria de Segurança Pública (Sesp) que seja implantado um cronograma de testagem de coronavírus nas unidades penais do Paraná e que haja mais transparência na divulgação dos testes realizados e dos resultados obtidos.

O novo pedido aconteceu após a confirmação, na última quarta feira (10/06), de que 142 presos e 1 servidor da Cadeia Pública de Toledo testaram positivo para a Covid-19.  A informação foi divulgada pela imprensa local e os resultados positivos foram confirmados pela Secretaria Municipal de Saúde de Toledo. Segundo informações de policiais penais que trabalham na região, a descoberta dos casos só aconteceu após a testagem feita.  Na quinta feira, 11, o SINDARSPEN oficiou o DEPEN – PR e a SESP-PR, reivindicando a apresentação do cronograma de testagem nas unidades penais em todo o Paraná.

O SINDARSPEN está desde o início da pandemia cobrando da Secretaria do Estado de Segurança Pública que apresente uma política de monitoramento dos casos.  O sindicato ainda aguarda a confirmação de uma reunião solicitada com o Secretário de Segurança, Coronel Romulo Marinho Soares.